24/01 20h :: Leitura de “O Martelo” :: Al-Farabi

[o ano começou on fire e
é rebolando a raba pré-carnavalesca que]

o coletivo garupa convida a todxs
para o lançamento da edição brasileira de
_______________o martelo
__________________de adelaide ivánova

dias antes da diva voltar a berlim
por meses a f[r]io
e deixar os boy tudo de coração partido
vamos nos despedir em grande estilo

omartelo

com leituras de:
ana carolina assis
flávio morgado
heyk pimenta
italo diblasi
julia klien
juliana travassos
leonardo marona
maria bogado
rita isadora pessoa
thiago gallego

__e da própria autora

***

o martelo é livro de poesia e conta uma história.
ou então é reportagem, diário, é medicação.

o martelo é relato de um estupro
e se divide em duas partes.

primeiro, o terror: a visita, a delegada, o advogado, as testemunhas, contratos, juízes, o grupo de ajuda. e as outras mulheres, tantas vozes. a cada onze minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. em maio do ano passado, uma adolescente de dezesseis anos foi estuprada por 33 homens na zona oeste do Rio de Janeiro. e ele foi inocentado. o estuprador, que na linguagem cortante de adelaide ivánova é identificado apenas por “príncipe”, foi inocentado

– silêncio –

depois, a redescoberta do sexo, o fracasso das relações interpessoais e o vislumbre da possibilidade [realmente existe essa possibilidade?] do amor. Humboldt, esse homem, qualquer homem; depois, um casamento; depois, o divórcio. sob o travesseiro, um martelo. sangue, claro. e os lençóis que se multiplicam da maca à cama.

“na bandeira da albânia
comunista substituíram o
martelo
por um fuzil o
martelo
é um objeto ótimo
que serve pra dormir bem
ou pregar pregos.”

à primeira edição d’o martelo (lançada em Portugal; douda correria, 2015) foram acrescidos quatro poemas inéditos. o projeto gráfico agora proposto pela edições garupa respeita o que há de mais demarcado na poesia de adelaide ivánova: é impossível ler e não se sujar.

adelaide é poeta, fotógrafa e jornalista. nasceu em recife, 1982. vive e trabalha entre Colônia e Berlim, Alemanha. e nesta terça, 24/jan., exatos 144 dias após um golpe de estado, que também pode ser lido como a institucionalização da violência de gênero, ela lança a edição brasileira de um livro que não é fácil ler. é preciso.

***

o al farabi fica na rua do rosário, n. 30.
atrás do ccbb

a entrada é gratuita


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